IA em squads de tecnologia: como reduzir equipes e acelerar resultados
Entenda como a IA está mudando o tamanho das squads de tecnologia, aumentando a produtividade e acelerando resultados.

Como a IA está mudando o tamanho das squads de tecnologia
A inteligência artificial está mudando a forma como equipes de tecnologia desenvolvem software. Mais do que acelerar tarefas isoladas, as ferramentas de IA podem alterar a quantidade de trabalho que uma equipe consegue realizar no mesmo período. Isso abre espaço para repensar o tamanho das squads e a maneira como seus profissionais distribuem o tempo.
Pesquisas da McKinsey mostram ganhos relevantes em diferentes atividades de desenvolvimento de software. Em seus testes, a documentação de código pôde ser realizada em cerca de metade do tempo, a geração de código novo levou entre 35% e 45% menos tempo e a refatoração entre 20% e 30% menos. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que os ganhos variam conforme a complexidade da tarefa e a experiência do desenvolvedor.
Isso ajuda a entender uma mudança importante: o impacto da IA não está apenas na velocidade de uma tarefa, mas na capacidade que uma equipe passa a ter para entregar mais com os mesmos recursos.
O que muda quando uma squad ganha produtividade?
Quando determinadas atividades passam a exigir menos tempo, a capacidade de execução da equipe aumenta.
Um desenvolvedor pode, por exemplo, dedicar menos horas à escrita de código, documentação ou refatoração e direcionar mais tempo para arquitetura, validação, resolução de problemas e decisões que exigem maior análise.
Esse ganho não significa que toda squad deva simplesmente perder profissionais.
Na prática, a IA permite que a empresa questione uma premissa que durante muito tempo pareceu natural: mais demanda necessariamente exige mais pessoas?
Em determinados projetos, a resposta pode ser diferente.
IA reduz o tempo de tarefas de desenvolvimento
A pesquisa da McKinsey com mais de 40 desenvolvedores encontrou ganhos expressivos em tarefas comuns de engenharia de software.
Documentação pode ser feita em menos tempo
A documentação de funcionalidades de código levou aproximadamente metade do tempo com o auxílio de IA no experimento.
Isso representa uma redução importante em uma atividade necessária para manutenção e compreensão dos sistemas, mas que tradicionalmente pode consumir uma parcela significativa do trabalho de desenvolvimento.
A geração de código também acelera
Na geração de código novo, os participantes do estudo concluíram as tarefas entre 35% e 45% mais rapidamente com ferramentas de IA.
Isso não significa simplesmente apertar um botão e receber software pronto.
O desenvolvedor continua responsável por avaliar o código, fazer ajustes e verificar se a solução atende ao que foi solicitado. Ainda assim, a redução no tempo de execução pode liberar capacidade para outras atividades.
A refatoração ganha velocidade
A refatoração também apresentou ganhos relevantes. No estudo da McKinsey, o tempo necessário para otimizar código existente caiu entre 20% e 30%.
Para equipes que trabalham continuamente na evolução de sistemas, esse tipo de ganho pode representar uma diferença significativa quando acumulado ao longo de vários projetos e ciclos de desenvolvimento.
Squads menores podem entregar mais?
É aqui que a discussão sobre produtividade começa a afetar o dimensionamento das equipes.
Se determinadas tarefas passam a exigir menos tempo, uma equipe pode aumentar sua capacidade de entrega sem necessariamente aumentar o número de profissionais na mesma proporção.
Isso não significa que toda empresa deva reduzir suas squads.
O tamanho adequado continua dependendo da complexidade do produto, do prazo, da arquitetura, do nível de conhecimento necessário e da quantidade de trabalho.
A mudança está em outro lugar: a liderança passa a ter mais espaço para dimensionar a equipe considerando sua capacidade real de execução, e não apenas o volume de tarefas previsto.
O impacto da IA vai além do desenvolvimento de software
Os ganhos de produtividade também aparecem em uma escala mais ampla.
Em uma pesquisa divulgada em 2026, a Morgan Stanley ouviu 935 executivos de empresas nos Estados Unidos, Alemanha, Japão e Austrália, em cinco setores considerados mais expostos aos efeitos da adoção de IA. As empresas pesquisadas relataram, em média, aumento líquido de 11,5% na produtividade nos 12 meses anteriores.
O dado não representa especificamente squads de engenharia. Ainda assim, ele ajuda a contextualizar uma mudança maior: empresas que incorporam IA às operações estão relatando ganhos mensuráveis de produtividade.
Para tecnologia, isso reforça a necessidade de repensar como o trabalho é distribuído e como as equipes são estruturadas.
O que fazer com a capacidade que a IA libera?
Reduzir tempo de execução não deveria significar simplesmente preencher a agenda da equipe com mais tarefas.
Esse ganho pode ser utilizado para melhorar a qualidade do desenvolvimento e aumentar o foco em atividades de maior impacto.
Mais tempo para arquitetura
Com parte do trabalho operacional acelerado, os profissionais podem dedicar mais atenção às decisões arquiteturais, integrações, segurança e evolução do produto.
Mais espaço para validação
A velocidade de geração de código também aumenta a importância da revisão. Quanto mais rápido uma equipe consegue produzir, mais importante se torna verificar se aquilo que foi produzido realmente atende aos requisitos.
Mais capacidade para resolver problemas complexos
A própria pesquisa da McKinsey mostra que os ganhos da IA são menores em tarefas consideradas altamente complexas. Isso reforça o papel dos profissionais em atividades que exigem experiência, contexto e tomada de decisão.
Assim, a IA não elimina a necessidade de profissionais qualificados. Ela muda a forma como o tempo desses profissionais pode ser utilizado.
Uma squad menor não significa uma equipe sobrecarregada
Existe uma diferença importante entre reduzir o tamanho de uma equipe e reduzir a capacidade de uma equipe.
Quando a IA aumenta a produtividade, uma equipe menor pode manter ou até ampliar sua capacidade de execução em determinados contextos.
Porém, isso só acontece quando a tecnologia é incorporada ao fluxo de trabalho de maneira adequada.
Se a empresa simplesmente diminuir o número de profissionais sem rever processos, responsabilidades e ferramentas, o resultado pode ser apenas sobrecarga.
Por outro lado, quando a IA assume atividades que consomem tempo operacional, os profissionais podem concentrar seus esforços nas decisões que realmente precisam de conhecimento técnico e contexto.
Como dimensionar uma squad com IA?
A adoção de ferramentas de IA cria uma oportunidade para revisar o dimensionamento das equipes.
Antes de contratar mais profissionais para atender a uma nova demanda, vale analisar:
- quais atividades podem ser aceleradas com IA;
- quanto tempo a equipe gasta em tarefas repetitivas;
- quais etapas ainda geram gargalos;
- quais atividades exigem conhecimento especializado;
- quanto da capacidade atual está comprometida com manutenção;
- quais tarefas podem ser automatizadas sem comprometer a qualidade;
- e quais novas responsabilidades surgem com a adoção da IA.
A partir dessa análise, a empresa consegue dimensionar a equipe com base na necessidade real do projeto.
A mudança não é simplesmente ter menos pessoas
O principal impacto da IA nas squads não está necessariamente na redução do número de profissionais.
Está na mudança da relação entre tamanho da equipe e capacidade de entrega.
Uma squad que utiliza IA de forma estruturada pode distribuir melhor seu tempo, acelerar tarefas operacionais e concentrar conhecimento técnico nas etapas mais importantes do desenvolvimento.
Por isso, a pergunta para uma liderança de tecnologia deixa de ser apenas:
“Quantas pessoas precisamos contratar?”
E passa a incluir:
“Quanto uma equipe bem estruturada consegue entregar com as ferramentas certas?”
Essa mudança de perspectiva pode influenciar não apenas contratações, mas também planejamento, orçamento, prazos e organização das equipes.
O papel da liderança nesse novo cenário
A IA não elimina a necessidade de planejamento de engenharia. Na verdade, torna esse planejamento ainda mais importante.
A liderança precisa entender onde a tecnologia realmente gera ganho de produtividade, quais atividades continuam dependendo de experiência e como redistribuir a capacidade criada pela automação.
Além disso, os resultados não devem ser medidos apenas pela quantidade de código produzido.
Qualidade, estabilidade, tempo de entrega, manutenção e capacidade de evolução continuam fazendo parte da equação.
A própria McKinsey destaca que os ganhos de velocidade variam de acordo com a complexidade das tarefas e a experiência dos desenvolvedores. Portanto, não existe um percentual único de produtividade que possa ser aplicado automaticamente a todas as equipes.
IA muda o cálculo das squads
A adoção de inteligência artificial está criando uma nova relação entre produtividade e estrutura de engenharia.
Em vez de aumentar o tamanho das equipes sempre que a demanda cresce, empresas podem primeiro analisar quanto da capacidade adicional pode ser obtida com melhores ferramentas, processos e automação.
Isso não significa trabalhar com menos pessoas a qualquer custo.
Significa dimensionar as squads de acordo com o que o projeto realmente precisa, considerando o ganho de produtividade proporcionado pela IA e mantendo profissionais suficientes para arquitetura, validação, segurança, decisões técnicas e evolução do produto.
É nesse cenário que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade individual e passa a influenciar a própria organização da engenharia.
Na REVIIV, esse olhar também faz parte da forma como estruturamos soluções e equipes de tecnologia. O objetivo é combinar profissionais, processos e inteligência artificial de acordo com a necessidade de cada projeto, evitando tanto o subdimensionamento quanto estruturas maiores do que o necessário.
Conclusão
A IA está mudando a produtividade do desenvolvimento de software e, consequentemente, a forma como empresas podem pensar suas squads.
Os estudos disponíveis já mostram reduções relevantes no tempo gasto em tarefas como geração de código, documentação e refatoração. Ao mesmo tempo, os resultados variam conforme a complexidade do trabalho e a experiência dos profissionais.
Por isso, o próximo passo não é simplesmente reduzir equipes.
É entender quanto a IA pode ampliar a capacidade de cada squad e como essa capacidade deve ser distribuída.
Quando esse cálculo é feito corretamente, a empresa pode direcionar seus profissionais para atividades de maior impacto, acelerar entregas e estruturar equipes mais eficientes, sem transformar produtividade em sobrecarga.
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