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Engenharia de Software7 min

Substituir ou modernizar sistemas legados: entenda os riscos

Entenda os riscos de substituir sistemas legados e como modernizar a infraestrutura com APIs, integrações e desenvolvimento gradual.

por Ivan Oliveira

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Equipe de TI em escritório moderno com vista para a cidade, trabalhando em computadores e analisando código de sistemas legados.

Substituir um sistema legado por uma solução completamente nova pode parecer o caminho mais simples para modernizar a tecnologia de uma empresa. Afinal, começar do zero permite repensar processos, adotar ferramentas atuais e eliminar limitações acumuladas ao longo dos anos. Na prática, porém, essa transformação pode envolver custos elevados, atrasos e riscos para a continuidade da operação.

O desafio está no conhecimento que esses sistemas acumulam ao longo do tempo. Regras de negócio, integrações e procedimentos específicos nem sempre estão documentados. Por isso, simplesmente transferir as funcionalidades para uma nova plataforma pode deixar de fora processos importantes para o funcionamento da empresa.

Um alerta do Gartner reforça a complexidade desse cenário: mais de 70% dos projetos de saída de mainframes iniciados em 2026 não devem entregar os benefícios pretendidos. Segundo a consultoria, um dos principais fatores é a superestimação das capacidades da inteligência artificial generativa para migrar códigos legados complexos.

Embora essa previsão seja específica para projetos de saída de mainframes, ela chama a atenção para um desafio mais amplo: modernizar a tecnologia exige compreender a estrutura existente antes de decidir o que deve ser substituído.

Por que substituir um sistema legado pode ser arriscado?

Um sistema legado não é necessariamente uma tecnologia ultrapassada que precisa ser descartada. Muitas vezes, é uma aplicação que continua sustentando processos essenciais, mesmo tendo sido desenvolvida há décadas.

Durante esse período, o software acumula regras de negócio, integrações e adaptações feitas para atender às necessidades da empresa. Parte desse conhecimento pode estar documentada, mas outra parte permanece incorporada ao próprio código e à experiência dos profissionais que utilizam o sistema.

Entre os elementos que precisam ser considerados antes de uma substituição estão:

  • Exceções fiscais e regras específicas de cálculo;
  • Condições comerciais diferenciadas para determinados clientes;
  • Validações operacionais particulares de cada área;
  • Integrações com fornecedores, parceiros e sistemas internos;
  • Processos de tratamento de dados desenvolvidos ao longo dos anos.

Quando essas dependências não são identificadas, a nova solução pode deixar de reproduzir funcionalidades essenciais. O problema nem sempre aparece durante o desenvolvimento: pode surgir depois da implantação, quando usuários percebem que determinados processos deixaram de funcionar como esperado.

Além disso, uma substituição completa pode exigir mudanças simultâneas em infraestrutura, integrações, migração de dados e rotinas de trabalho. Quanto maior a dependência da operação em relação ao sistema, mais cuidadoso precisa ser o planejamento da transição.

O que significa o alerta de 70% do Gartner sobre sistemas legados?

Em 18 de junho de 2026, o Gartner divulgou uma previsão de que mais de 70% dos projetos de saída de mainframes iniciados naquele ano não entregariam os benefícios esperados.

Esses projetos, conhecidos como mainframe exit, buscam retirar aplicações de plataformas de mainframe e transferi-las para outros ambientes tecnológicos.

Segundo a consultoria, um dos principais riscos está na confiança excessiva nas capacidades das ferramentas de inteligência artificial generativa para transformar e migrar códigos complexos. Embora a IA possa apoiar atividades de análise e transformação de software, sua utilização não elimina a necessidade de compreender as regras de negócio, validar funcionalidades e testar a nova estrutura.

O alerta é especialmente relevante porque mainframes frequentemente sustentam aplicações críticas, com décadas de dados, integrações e dependências operacionais. Uma migração mal planejada pode comprometer não apenas o funcionamento do software, mas também a continuidade de processos essenciais.

O Gartner também aponta que a estratégia precisa considerar o perfil e a complexidade de cada ambiente. Para muitas organizações, utilizar IA para modernizar a plataforma existente pode ser mais adequado do que acelerar uma migração completa. A saída do mainframe deve ser avaliada caso a caso, considerando os riscos e os benefícios esperados.

Portanto, a previsão não significa que toda substituição de sistema legado está destinada ao fracasso. Ela demonstra que a modernização precisa ser orientada por uma análise técnica e de negócio, e não apenas pela promessa de novas tecnologias.

Qual é a diferença entre substituir e modernizar um sistema legado?

Embora as duas estratégias busquem melhorar a estrutura tecnológica, substituir e modernizar um sistema não representam a mesma coisa.

A substituição envolve retirar uma aplicação ou plataforma existente e transferir suas funcionalidades para uma nova solução. Já a modernização pode preservar partes da estrutura original, atualizando componentes, integrações e funcionalidades de acordo com as necessidades do negócio.

Entre as abordagens possíveis, estão:

  • Substituição completa: uma nova solução assume as funções do sistema anterior. Exige mapear e reproduzir regras, dados e dependências.
  • Modernização gradual: componentes específicos são atualizados por etapas, permitindo distribuir as mudanças e acompanhar seus impactos.
  • Integração por APIs: o sistema existente passa a se comunicar com novas aplicações, ampliando as possibilidades de evolução sem exigir substituição imediata.
  • Modernização interna: a estrutura atual recebe melhorias de arquitetura, código ou infraestrutura, preservando partes importantes da operação.

A escolha depende das condições do sistema, dos objetivos da empresa e dos riscos envolvidos. Uma aplicação pode precisar de substituição quando sua arquitetura não permite atender às necessidades futuras. Em outros casos, integrar novas tecnologias ou atualizar componentes específicos pode resolver as principais limitações.

No artigo O dilema dos sistemas legados: manter, modernizar ou substituir?, a REVIIV apresenta outros critérios para avaliar essas alternativas.

Como integrar sistemas legados a novas tecnologias sem substituir tudo?

Uma das possibilidades é desenvolver camadas de integração que conectem os sistemas existentes às novas aplicações. Nesse modelo, APIs permitem que diferentes plataformas compartilhem dados e funcionalidades de maneira estruturada e controlada.

Em vez de reconstruir toda a infraestrutura, a empresa pode desenvolver novos recursos digitais que aproveitam informações e processos já disponíveis no ambiente legado.

Essa arquitetura pode ser organizada em duas frentes complementares:

  • Backend: criação de APIs e serviços de integração para conectar sistemas, disponibilizar dados e controlar o acesso às funcionalidades existentes.
  • Frontend: desenvolvimento de novas interfaces, aplicativos, portais e módulos digitais que utilizam os serviços disponibilizados pelo backend.

Com essa separação, as equipes conseguem evoluir a experiência dos usuários sem precisar modificar toda a estrutura que sustenta a operação. Também fica mais fácil implementar novas funcionalidades e estabelecer controles de segurança e governança.

Para compreender melhor os desafios relacionados à manutenção e à evolução de aplicações antigas, vale consultar o glossário da REVIIV sobre código legado.

REVIIV INSIGHTS

Um erro comum é tratar a modernização como uma escolha entre manter tudo exatamente como está ou substituir toda a infraestrutura de uma só vez.

Na realidade, é possível preservar o conhecimento acumulado nos sistemas existentes e, ao mesmo tempo, desenvolver novas soluções para atender às demandas do negócio.

Ao criar camadas de integração via APIs, a empresa transforma o legado em parte de uma arquitetura capaz de evoluir. Isso permite conectar novas interfaces, aproveitar dados estruturados e ampliar funcionalidades sem descartar automaticamente processos que já funcionam.

Em vez de concentrar todos os riscos em uma única migração, as mudanças podem ser planejadas e implementadas de acordo com as prioridades da operação. Assim, a empresa aproveita melhor os investimentos já realizados e cria condições para evoluir sua estrutura tecnológica.

Como decidir se um sistema legado deve ser substituído ou modernizado?

Antes de iniciar um projeto, é importante entender quais limitações realmente comprometem o negócio. A idade da tecnologia, isoladamente, não determina se uma aplicação precisa ser substituída.

Algumas perguntas ajudam a orientar essa avaliação:

  1. O sistema ainda atende às necessidades da operação? Identifique quais processos funcionam adequadamente e quais apresentam limitações.
  2. As regras de negócio estão documentadas? Mapeie funcionalidades, exceções, integrações e dependências antes de alterar a estrutura.
  3. Quais são os custos de manutenção? Avalie os recursos necessários para sustentar o ambiente atual e compare com o investimento exigido pela modernização.
  4. É possível integrar novas aplicações? Verifique se APIs ou outras camadas de integração podem ampliar as funcionalidades existentes.
  5. Quais são os riscos de uma substituição? Considere os impactos sobre dados, continuidade operacional, segurança, usuários e sistemas conectados.
  6. Qual estratégia oferece melhor retorno? Compare os cenários de manutenção, modernização gradual e substituição completa considerando os objetivos do negócio.

Esse diagnóstico ajuda a evitar investimentos desnecessários e permite escolher uma estratégia compatível com a realidade tecnológica da empresa.

Como a REVIIV ajuda empresas a modernizar sistemas legados?

Modernizar sistemas legados exige conhecimento sobre arquitetura de software, integração de aplicações e regras de negócio. Mais do que desenvolver uma nova solução, é necessário compreender como a estrutura atual funciona e como ela pode evoluir sem comprometer a operação.

A Fábrica de Software da REVIIV desenvolve produtos digitais, aplicações e módulos sob medida, além de integrar novas soluções aos sistemas que as empresas já utilizam.

Essa abordagem permite ampliar funcionalidades, conectar plataformas e desenvolver novas experiências digitais sem exigir a substituição completa da infraestrutura em todos os casos.

Conheça a Fábrica de Software da REVIIV e descubra como desenvolver soluções tecnológicas que acompanham a evolução do negócio.

Fonte

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  • #Sistemas Legados
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  • #Integração de Sistemas
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